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24 Rés-do-Chão

24 Rés-do-Chão

A letter to everyone and noone

Tenho cartas para escrever e não enviar. Umas porque já não tenho a morada, outras porque há coisas que nunca devem ser ditas a outrem, outras porque não acho que seriam entendidas, até porque às vezes a mensagem está nas entrelinhas e outras porque é apenas uma necessidade minha.

Tenho que as escrever mas não sei bem como, por quem começar ou o que dizer ao certo. Como daquelas vezes em que se tem tanto para dizer que as palavras tropeçam umas nas outras para sair e depois nada tem sentido, não quero isso. E depois, por quem começo eu? Não é a toda a hora que algo me faz lembrar daquela pessoa ou da outra, são pequenaos detalhes, como o refrão de uma música, um gesto, um perfume, um filme ou apenas uma conversa.

Portanto, é difícil escrever algo mais íntimo que não seja sobre como correu o meu dia - porque, infelizmente, todos os telemóveis do mundo explodiram. Não, é mais complexo que isso, é um desabafo, é dizer o que nunca foi dito independentemente das razões, porque essas nem sempre são racionais.

Talvez não as tenha que escrever em vão, talvez um dia alguém as encontre como parte da minha herança e veja ali pedaços de quem fui.

Pode ser que amanhã chova e veja um jovem ceder o seu casaco a uma jovem, pode ser que venhas falar-me da nossa antiga e bela amizade e eu não saiba o que dizer, pode ser que o veja de relance e me lembre de anos atrás. Quem sabe para quem hei-de eu escrever primeiro e o que irei eu dizer.

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